Natura troca de CEO e traz Alessandro Carlucci de volta ao comando doze anos depois
A Natura anunciou em 31 de agosto que João Paulo Ferreira deixa a presidência da companhia depois de dez anos, com saída efetiva em 30 de setembro. Alessandro Carlucci, que comandou a empresa entre 2005 e 2014, assume em 1º de outubro. Fábio Barbosa volta à presidência do conselho de administração, sujeito a ratificação na próxima assembleia.
A Natura comunicou em 31 de agosto de 2026 a maior mudança na sua liderança em uma década. João Paulo Ferreira renunciou à presidência da companhia depois de dez anos no cargo, com saída efetiva em 30 de setembro, e deixou imediatamente o conselho de administração e todos os comitês de que participava.
Quem entra é um nome de casa. Alessandro Carlucci assume a presidência em 1º de outubro de 2026 e já comandou a Natura entre 2005 e 2014, num período que somou 25 anos de trabalho na empresa, dez deles como presidente.
A mudança não parou na diretoria. Fábio Barbosa, que estava no conselho consultivo, retorna à presidência do conselho de administração, sujeito a ratificação dos acionistas na próxima assembleia.
O recado do conselho foi de continuidade, não de ruptura. A companhia afirmou que as diretrizes estratégicas permanecem inalteradas e que as transições reforçam a continuidade alinhada ao legado da Natura, com foco em rentabilidade, eficiência operacional e alocação de capital.
O contexto ajuda a ler o movimento. A troca vem depois de um trimestre difícil no Brasil, e Ferreira reconheceu que as dificuldades operacionais no país superaram as expectativas, citando falta de produto e problemas internos, apesar da implantação bem-sucedida do novo sistema de gestão.
Por que isso importa
A Natura não é só uma marca no mercado brasileiro de beleza, é um canal. São milhões de consultoras que atendem cliente final, e boa parte delas vende também dentro de salão, no mesmo bairro em que você trabalha. Quando falta produto no estoque da companhia, o efeito não fica na planilha da empresa: chega na consultora que prometeu entrega e na cliente que não recebeu.
Repare no diagnóstico que a própria empresa deu, porque é o mais transferível de tudo isso. O problema apontado não foi de estratégia, de posicionamento ou de marca. Foi de execução e de abastecimento. Uma companhia desse tamanho errou na coisa mais básica do varejo, que é ter o produto disponível quando o cliente pede.
O que muda no seu negócio
Se você revende produto, a leitura prática é de risco de fornecimento. Marca grande em reestruturação costuma priorizar canal grande, e o pequeno é quem sente primeiro a falta de item. Vale confirmar prazo e disponibilidade dos três produtos que você mais vende antes de prometer para a cliente, e ter um segundo fornecedor mapeado para cada um deles.
E vale a pergunta desconfortável sobre a sua própria casa: o seu problema é de estratégia ou de execução? Quase sempre é o segundo, e quase sempre a gente prefere discutir o primeiro, porque é mais confortável repensar o posicionamento do que admitir que o produto acabou, a cliente ficou sem retorno de mensagem e o horário vazio de terça continuou vazio.
✦ O que você leva daqui
- João Paulo Ferreira sai da presidência da Natura em 30 de setembro; Alessandro Carlucci, presidente entre 2005 e 2014, assume em 1º de outubro.
- A companhia diz que as diretrizes estratégicas não mudam e cita rentabilidade, eficiência operacional e alocação de capital como foco.
- Se você é cliente da marca, a falta de item reconhecida pela própria empresa explica a demora que você viu na entrega da consultora.
- Se você revende, confirme prazo dos três itens que mais saem e mapeie um segundo fornecedor para cada um antes de assumir compromisso com a cliente.
Moral da história: Trocar quem está no comando não muda a diretriz: quando a empresa diz que a estratégia continua a mesma, o que ela está anunciando é impaciência com a execução, não uma virada de rumo.