Beleza brasileira exportou US$ 363,3 milhões em 2025 e ganha um novo ciclo de dois anos para vender lá fora
ABIHPEC e ApexBrasil abriram o ciclo 2026–2028 do Beautycare Brazil, com mais de 30 iniciativas de promoção internacional em 24 meses. Em 2025, o projeto apoiou 162 empresas; 132 delas exportaram para 130 mercados e somaram US$ 363,3 milhões. Desta vez, a cadeia atendida passa a incluir fornecedores de equipamentos de salão e spa.
A ABIHPEC, associação que representa a indústria brasileira de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, e a ApexBrasil abriram um novo ciclo do Beautycare Brazil, o projeto que leva empresas do setor para fora do país. O programa tem validade de 24 meses e prevê mais de 30 iniciativas de promoção internacional no período.
Os números do ciclo anterior dão a régua do que está em jogo. Em 2025, o projeto apoiou 162 empresas brasileiras. Dessas, 132 efetivamente exportaram, alcançando 130 mercados internacionais e somando US$ 363,3 milhões em exportações. Outras 44 empresas estrearam no mercado internacional pela primeira vez.
As regiões-alvo do novo ciclo são América Latina, América do Norte, Europa, Oriente Médio, Ásia e África. A mudança mais concreta, porém, é de escopo: a cadeia atendida foi ampliada e agora não cobre só produto acabado. Entram ingredientes, embalagens, serviços de pesquisa clínica e fornecedores de equipamentos de salão e spa.
"O Brasil é o 3º maior mercado consumidor global e o 4º país que mais lança produtos do setor por ano, o que demonstra a capacidade de inovação da nossa indústria", afirmou Luiz Carlos Dutra, presidente da ABIHPEC.
Do lado da ApexBrasil, o presidente Laudemir André Muller enquadrou o movimento no cenário externo: o mundo vive uma reconfiguração do comércio internacional, o que exige ampliar oportunidades para as empresas brasileiras por meio de promoção comercial, inteligência e colaboração setorial.
Gueisa Silvério, gerente do projeto na ABIHPEC, descreveu o método do programa como uma combinação de "inteligência de mercado, qualificação, promoção comercial e conexão com compradores estratégicos" para elevar a competitividade internacional das empresas.
Por que isso importa
Exportação de cosmético brasileiro costuma ser tratada como assunto de indústria grande. Os números do ciclo anterior mostram o contrário: das 162 empresas apoiadas, 44 nunca tinham vendido para fora antes, ou seja, mais de um quarto do grupo era estreante. O gargalo raramente é o produto; é a estrutura para atravessar regulação, dossiê, feira, comprador e logística.
E a ampliação da cadeia muda quem é elegível. Ao incluir embalagens, ingredientes, serviços de pesquisa clínica e equipamentos de salão e spa, o programa reconhece que o que o Brasil tem para vender não é só o frasco: é também a máquina, o serviço e a fórmula por trás dele.
O que muda para quem trabalha com beleza no Brasil
Para o dono de salão ou clínica, o efeito é indireto no curto prazo e direto no médio. Marca brasileira que se internacionaliza tende a profissionalizar embalagem, rotulagem, dossiê técnico e comunicação, e esse padrão volta para a prateleira do salão. É a mesma disciplina que faz a marca passar em auditoria de comprador estrangeiro.
Para quem fabrica, revende ou desenvolve linha própria, o recado é mais direto: existe um canal público, com edital e agenda, e ele agora enxerga a sua categoria. A porta de entrada é a ABIHPEC.
✦ O que você leva daqui
- Para o leitor comum: o Brasil é o 3º maior mercado consumidor de beleza do mundo e o 4º que mais lança produtos por ano, a inovação que você vê na prateleira nacional é, em volume, das maiores do planeta.
- Para o dono de negócio: se você fabrica, envasa, embala ou fornece equipamento de salão e spa, o novo ciclo do Beautycare Brazil ampliou a cadeia atendida e passou a incluir a sua categoria, vale procurar a ABIHPEC antes que as vagas do ciclo se preencham.
- Para quem só vende no Brasil: 44 das 162 empresas apoiadas em 2025 exportaram pela primeira vez. Estreia não é exceção nesse jogo, é a maior parte do movimento.
Moral da história: Exportar não é vender para fora: é entrar numa fila de documento, dossiê e comprador, e quem entra na fila cedo vende antes.