Coty volta a crescer no trimestre com ajuda do Brasil, mas fecha o ano com prejuízo de US$ 618 milhões

A dona de Rimmel, CoverGirl e Marc Jacobs Beauty encerrou o ano fiscal de 2026 com a receita do quarto trimestre 1% maior, alta puxada por Estados Unidos, Brasil e travel retail. As vendas comparáveis caíram apenas 1% no trimestre, contra quedas de 7% e 8% nos trimestres anteriores. O prejuízo líquido do ano, porém, subiu de US$ 381 milhões para US$ 618 milhões, e a companhia anunciou Soraya Benchikh como nova diretora financeira a partir de 1º de setembro.

Coty volta a crescer no trimestre com ajuda do Brasil, mas fecha o ano com prejuízo de US$ 618 milhões

A Coty divulgou o resultado do quarto trimestre e do ano fiscal de 2026, e o balanço tem duas leituras que apontam para lados opostos.

Do lado da receita, o trimestre foi de virada. As vendas reportadas cresceram 1% na comparação anual, um acréscimo de US$ 43,5 milhões, puxado por vendas maiores nos Estados Unidos, no Brasil e no canal de travel retail, parcialmente compensados por queda no Canadá.

O indicador mais revelador, porém, é o comparável, que exclui câmbio e mudanças de portfólio: ele caiu 1% no quarto trimestre. Parece ruim isolado, mas nos trimestres anteriores do mesmo ano essa queda tinha sido de 7% e de 8%. Em três leituras seguidas, o buraco encolheu.

Do lado do resultado, o ano foi pior que o anterior. O prejuízo líquido do exercício encerrado no fim de junho subiu para US$ 618 milhões, contra US$ 381 milhões um ano antes. A companhia afirma que vendas, lucro e geração de caixa do trimestre e do ano ficaram acima das próprias expectativas, sustentados por controle de custo e pela convergência entre o que ela vende para o varejo e o que sai da prateleira para o consumidor.

Junto com o balanço veio a troca no comando financeiro. Laurent Mercier permanece como diretor financeiro até 31 de agosto de 2026, e Soraya Benchikh assume o cargo em 1º de setembro. Ela vem de mais de duas décadas em finanças e gestão em empresas globais de bens de consumo e ocupava, mais recentemente, a diretoria financeira da British American Tobacco.

A companhia entra agora em um ano que ela mesma trata como de transição, já sem a licença da Gucci Beauty no portfólio.

Por que isso importa

O Brasil aparecendo nominalmente entre os três motores de crescimento de um grupo global de beleza, no mesmo trimestre em que o Canadá puxa para baixo, diz algo sobre onde o consumo de beleza ainda tem fôlego. Não é uma projeção de consultoria: é a linha de receita de uma empresa listada explicando de onde veio o dinheiro a mais.

E há uma segunda leitura, mais técnica. A Coty destaca a convergência entre venda para o varejo e venda ao consumidor final. Traduzindo: parou de empurrar estoque para a loja e passou a acompanhar o que realmente sai. É um ajuste chato, invisível na vitrine, e é justamente ele que sustenta os números.

O que muda no salão e na clínica

A lição prática está na diferença entre o número absoluto e a curva. Uma queda de 1% depois de duas quedas de 7% e 8% é uma operação melhorando, ainda que o sinal continue negativo. Quem só olha o faturamento do mês contra a meta perde exatamente essa informação.

Vale montar a sua versão disso: coloque lado a lado os últimos três meses de faturamento, de número de atendimentos e de retorno de cliente. O que interessa não é se o mês bateu, é se a distância está diminuindo ou aumentando. Uma operação que piora menos a cada mês está se recuperando; uma que melhora menos a cada mês está desacelerando, mesmo com o número no azul.

A outra lição é a do estoque. A Coty melhorou quando alinhou o que coloca na prateleira com o que de fato sai dela. No salão, o equivalente é o produto de revenda parado: ele não é patrimônio, é dinheiro seu preso em caixa que a cliente ainda não pediu.

✦ O que você leva daqui

  • Para o leitor comum: a Coty voltou a crescer no trimestre, mas fechou o ano com prejuízo maior, de US$ 618 milhões contra US$ 381 milhões. Crescer em vendas e dar lucro são duas coisas diferentes.
  • Para o dono de negócio: compare os últimos três meses entre si, não só contra a meta. Queda que diminui é recuperação; alta que encolhe é desaceleração.
  • Para os dois: Estados Unidos, Brasil e travel retail foram os três motores citados pela companhia. O consumo brasileiro de beleza segue relevante o suficiente para aparecer no release de uma multinacional.

Moral da história: Quando a queda desacelera três trimestres seguidos, a notícia não é o número: é a direção.

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