Estée Lauder leva o problema do tom de base para um laboratório de ciência da cor na Inglaterra
A dona de MAC e Clinique fechou uma colaboração de pesquisa com a Universidade de Leeds para estudar a ciência da cor e a percepção visual por trás do acerto de tom em base e corretivo. O projeto é liderado pelo Dr. Kaida Xiao, professor de ciência da cor e imagem do instituto LITAC, e usa métodos psicofísicos para investigar como as pessoas percebem subtons e diferenças sutis de pele.
A Estée Lauder Companies anunciou uma colaboração de pesquisa com a Universidade de Leeds, no Reino Unido, para entender melhor a ciência da cor e a percepção visual que estão por trás do acerto de tom em produtos de complexão.
O projeto será conduzido pelo Dr. Kaida Xiao, professor de ciência da cor e imagem no LITAC, o Leeds Institute of Textiles and Colour, ligado à School of Design da universidade. A pesquisa vai usar métodos psicofísicos avançados para investigar como as pessoas percebem subtons e diferenças sutis de cor.
O objeto central do estudo é uma lacuna conhecida de quem trabalha com maquiagem: a relação entre a medição científica da cor da pele e a forma como o consumidor percebe diferenças de tom em condições reais de uso, fora do laboratório e fora da luz controlada da loja.
Segundo a companhia, os achados podem ajudar a estabelecer novos parâmetros científicos para avaliar bases, corretivos e outros produtos de complexão, com o objetivo de entregar resultados mais naturais no dia a dia.
Por que isso importa
Acertar o tom é o problema mais antigo e menos resolvido da maquiagem. Ele já foi tratado como problema de sortimento, e a indústria respondeu ampliando cartelas. Agora está sendo tratado como problema de percepção, que é uma pergunta diferente: por que dois tons que o instrumento mede como próximos parecem distintos para o olho, e vice-versa.
Vale marcar o que a notícia não traz: não há resultado, prazo de publicação, produto anunciado nem número divulgado. O que existe é a parceria, o pesquisador responsável e a pergunta que ele vai investigar. É pesquisa começando, não conclusão.
O que muda no consultório e no salão
Há uma aplicação imediata, e ela é sobre luz. Se a percepção de subtom depende das condições reais de observação, o tom que você aprova para a cliente sob a iluminação do seu espaço não é necessariamente o tom que ela vai ver no espelho de casa, no elevador do trabalho ou na foto do celular.
Na prática, isso significa duas coisas. Primeiro: teste e confira o tom em mais de uma condição de luz antes de fechar a indicação, inclusive na luz natural da janela. Segundo: registre por escrito o que foi aprovado, com o nome e a numeração exata do produto, porque a memória da cliente sobre a cor é justamente a parte que a pesquisa está mostrando ser pouco confiável.
E há um argumento comercial embutido. Se uma das maiores empresas de beleza do mundo precisa de um laboratório universitário para acertar tom, o acerto de tom feito por um profissional treinado deixa de ser um favor de balcão e passa a ser competência técnica, do tipo que se cobra.
✦ O que você leva daqui
- Para o leitor comum: teste a base sob mais de uma luz antes de comprar, inclusive na luz natural. O tom que fecha na loja pode não fechar no espelho de casa.
- Para o dono de negócio: registre o tom aprovado por escrito, com nome e numeração do produto. Vira histórico da cliente, reduz erro na recompra e sustenta a cobrança pelo serviço de acerto.
- Para os dois: a pergunta da pesquisa é a distância entre medir e enxergar. Enquanto ela existir, acertar tom continua sendo trabalho humano, não catálogo.
Moral da história: Errar o tom não é falta de opção na gôndola: é a distância entre o que o aparelho mede e o que o olho enxerga.