Natura vê a receita no Brasil cair 14,8% no trimestre, com a Avon recuando 22,5% e o lucro despencando 92%
A Natura &Co divulgou em 11 de agosto um segundo trimestre com receita líquida consolidada de R$ 5,17 bilhões, queda de 9,1%, e lucro das operações continuadas de R$ 35 milhões, 92,1% abaixo do mesmo período do ano passado. No Brasil, a receita caiu 14,8%, para R$ 3,07 bilhões, com a marca Natura recuando 14,5% e a Avon, 22,5%. Os mercados hispânicos foram o contraponto, com alta de 7,2% em moeda constante.
A Natura &Co fechou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido das operações continuadas de R$ 35 milhões, queda de 92,1% ante os R$ 446 milhões do mesmo período do ano anterior. A receita líquida consolidada somou R$ 5,17 bilhões entre abril e junho, retração de 9,1%.
O peso veio de casa. No Brasil, a receita líquida caiu 14,8%, para R$ 3,07 bilhões. A marca Natura recuou 14,5% e a Avon, 22,5%.
Os mercados hispânicos foram na direção oposta, com crescimento de 7,2% em moeda constante, o que reforça que o problema do trimestre foi brasileiro, não regional.
A companhia atribuiu o desempenho a um ambiente de consumo fraco somado a obstáculos internos: falta de produtos na prateleira e gargalos na cadeia de abastecimento durante a estabilização do novo sistema de planejamento integrado, a atualização do SAP e a realocação de volume após o fechamento da fábrica de Interlagos.
Por que isso importa
Preste atenção na ordem dos fatores dessa explicação. Consumo fraco é contexto, e todo mundo do setor está no mesmo contexto. Os mercados hispânicos da própria empresa cresceram 7,2% dentro dele.
O que separou o Brasil do resto não foi a demanda, foi a entrega. Troca de sistema, fábrica fechada e produto que não chegou na prateleira: três problemas operacionais que aparecem no balanço como queda de receita, e não como falha de logística.
E o número da Avon, 22,5% de queda, conversa diretamente com a notícia da semana passada sobre a marca ser reunida sob um novo dono fora da América Latina. A operação brasileira segue com a Natura, e é ela que está apanhando.
O que muda no seu negócio
Se você revende qualquer coisa, essa é a lição mais cara do trimestre e ela custa zero para aplicar: ruptura de estoque não adia a venda, ela cancela. A cliente que não encontra o produto com você hoje não volta amanhã para comprar o mesmo item, ela resolve em outro lugar e leva junto a próxima compra.
O movimento prático é definir um ponto de recompra por item, não por intuição. Pegue os cinco produtos que mais saem e escreva quantas unidades você vende por mês e em quantos dias o fornecedor entrega. O ponto de pedido é o consumo do período de entrega mais uma folga. Sem essa conta, você está sempre comprando tarde ou comprando demais.
E vale a pergunta desconfortável para quem está trocando de sistema de gestão: a Natura perdeu receita no meio de uma migração de sistema. Migração é sempre mais lenta do que o cronograma promete, e o custo dela não aparece na mensalidade do software, aparece no que deixou de ser vendido enquanto a equipe aprendia a mexer.
✦ O que você leva daqui
- Para o leitor comum: a Natura teve queda de 14,8% na receita brasileira do trimestre, com a Avon recuando 22,5%, enquanto os mercados hispânicos do grupo cresceram 7,2%. A empresa citou falta de produto na prateleira entre as causas.
- Para o dono de negócio: calcule o ponto de recompra dos seus cinco produtos de maior saída (consumo no prazo de entrega mais folga). Ruptura de estoque não adia venda, cancela.
- Para os dois: no mesmo trimestre e no mesmo grupo, uma região caiu 14,8% e outra subiu 7,2%. Quando o vizinho cresce no mesmo cenário, o problema é operação, não mercado.
Moral da história: Falta de produto na prateleira não é problema de logística, é venda perdida com data marcada: quem não entrega hoje devolve a cliente para o concorrente amanhã.