Avon volta a ter dono único fora da América Latina depois de dez anos partida em pedaços
A Regent anunciou a compra da Avon North America, que estava com a sul-coreana LG H&H desde 2019, e vai reunir a operação de Estados Unidos e Canadá com a Avon International, que a própria Regent comprou da Natura &Co em janeiro de 2026. O fechamento está previsto para 1º de setembro e o valor não foi divulgado. Lisa Siders assume como CEO do grupo unificado.
A firma de investimentos Regent anunciou no dia 24 de agosto a compra da participação integral da LG H&H na Avon North America, que reúne as operações dos Estados Unidos e do Canadá. O fechamento está previsto para 1º de setembro de 2026 e o valor não foi divulgado.
Com a operação, a Regent junta o negócio norte-americano à Avon International, que ela já controlava depois de comprar da Natura &Co, em janeiro de 2026, as operações da marca na Europa, Ásia, África e Oriente Médio. É a primeira vez desde 2016 que essas duas partes da companhia ficam sob o mesmo dono.
A LG H&H havia comprado a Avon North America em 2019 e, segundo o comunicado, investiu em inovação de produto, capacidades digitais e modernização do modelo de venda social. Sunjoo Lee, CEO da LG H&H, disse que chegou o momento certo de aprofundar o foco da empresa nas suas prioridades globais de beleza e varejo.
Michael A. Reinstein, da Regent, afirmou que reunir a Avon North America e a Avon International dá à marca uma governança mais clara e uma base mais robusta para crescimento. Lisa Siders, hoje diretora de operações da Avon International, assume como CEO da Avon unificada quando a transação fechar.
O comunicado não trata da América Latina. Quando vendeu a operação internacional, a Natura &Co manteve a Avon na região, onde está o Brasil.
Por que isso importa
A Avon tem 140 anos e passou os últimos dez sendo recortada: uma parte para a Natura, outra para a LG H&H, agora duas delas reunidas por um fundo. Do lado de fora, isso é notícia de mercado. Do lado de dentro, é a quarta vez que uma revendedora ouve que agora vai melhorar.
E é justamente por isso que a venda direta é um caso de estudo para qualquer profissional de beleza que trabalha por conta. A marca muda de dono, o catálogo muda, a comissão muda, e a única coisa que continua no lugar é a lista de clientes de quem vende. Quem tratou essa lista como ativo atravessou as trocas. Quem dependia só do folheto, não.
O que muda no seu negócio
Se você revende qualquer coisa, de cosmético a esmalte, a pergunta que este anúncio faz é simples: quem é o dono do seu contato com a cliente? Se a resposta for uma plataforma, um catálogo ou uma marca, você tem canal emprestado.
O teste prático leva dez minutos. Abra sua lista de clientes que compram produto com você e conte quantas têm nome, telefone e histórico do que já levaram registrados em algum lugar que é seu. Não o histórico que está no aplicativo da marca: o que está com você.
Marca é bom, marca vende, marca abre porta. Mas marca troca de dono num comunicado de duas páginas em Nova York, e a sua cliente só continua sua se você souber chamar ela pelo nome sem depender de ninguém.
✦ O que você leva daqui
- Para o leitor comum: a Avon dos Estados Unidos e do Canadá foi vendida pela LG H&H para a Regent, que já era dona da operação internacional. A Natura &Co manteve a Avon na América Latina.
- Para o dono de negócio: conte hoje quantas clientes de revenda você consegue contatar sem depender do aplicativo ou do catálogo de uma marca. Esse número é o tamanho real do seu canal.
- Para os dois: uma marca de 140 anos mudou de controle três vezes em sete anos. Quem vende no varejo pessoal atravessa isso pela própria carteira, não pelo logotipo.
Moral da história: Quem vende de porta em porta não trabalha para o dono da marca, trabalha para a própria carteira: é ela que sobrevive a qualquer troca de controle.