Split payment não começa em janeiro de 2027 e o imposto vai continuar passando pelo seu caixa

O Comitê Gestor do IBS confirmou em 12 de agosto que o mecanismo que separa o imposto na hora do pagamento não estará pronto para 1º de janeiro de 2027. A cobrança do IBS e da CBS começa mesmo assim, e o recolhimento segue sendo responsabilidade de quem vende. Para o dono de salão, clínica ou studio, é mais um ano recebendo o valor cheio na conta e tendo que separar o imposto na mão.

Split payment não começa em janeiro de 2027 e o imposto vai continuar passando pelo seu caixa

O Comitê Gestor do IBS anunciou, em reunião de 12 de agosto de 2026, que o split payment não vai entrar em operação em 1º de janeiro de 2027. O mecanismo é a parte da reforma tributária que mais mexe com quem vive de recebimento eletrônico: em vez de o dinheiro inteiro cair na conta de quem vendeu e o imposto ser recolhido depois, o valor do tributo é separado no próprio momento do pagamento e vai direto para o poder público.

O motivo do adiamento foi dito sem rodeio. Segundo a secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul, Pricilla Santana, "a implementação exige mais tempo e as próprias instituições financeiras solicitaram prazo adicional para adequação". O mecanismo depende de integração entre empresas, sistemas de pagamento, instituições financeiras, Receita Federal e o próprio Comitê Gestor, e essa engrenagem não ficou pronta.

O que muda no calendário

O adiamento é do mecanismo, não da cobrança. Em 2026, os campos de IBS e CBS seguem informativos nos documentos fiscais. Em 2027, começa a cobrança dos dois tributos, só que sem o split payment disponível: o recolhimento continua acontecendo do jeito antigo, com o dinheiro passando inteiro pelo caixa de quem prestou o serviço. A implantação do split payment fica para depois, de forma gradual e faseada.

Para 2027 foi desenhada uma alternativa opcional, o RAD, sigla de Recolhimento pelo Adquirente. Nesse formato quem compra assume o recolhimento no lugar de quem vende, com crédito automático do tributo quando cabível. É opcional, e faz mais sentido em operação entre empresas do que no atendimento à consumidora final.

Quando ligar, cartão fica de fora no começo

O desenho do mecanismo já está regulamentado e tem dois procedimentos, conforme detalhou o Finsiders Brasil ao analisar o regulamento. No procedimento padrão, a instituição financeira consulta uma plataforma pública antes de liberar o dinheiro, para verificar exatamente quanto de imposto reter. No procedimento simplificado, aplica-se um percentual fixo sobre o valor da operação, um número que não reflete necessariamente o tributo exato de cada venda.

Um detalhe importa muito para quem atende no balcão: na fase inicial prevista, o split payment funciona com Pix, transferências e boleto. Cartões e vouchers ficam de fora por ora. Ou seja, quando o mecanismo entrar, ele vai atingir primeiro a parte do seu faturamento que chega por Pix, que em muitos salões e studios já é a maior fatia. Em venda parcelada, a regra desenhada separa o imposto proporcionalmente a cada pagamento do cliente, e não de uma vez.

Vale registrar o que o adiamento não resolve. A obrigação de destacar IBS e CBS no documento fiscal continua correndo no seu calendário, e o negócio que hoje não sabe quanto do faturamento é imposto vai continuar sem saber, só que com um ano a mais de aviso.

✦ O que você leva daqui

  • Para o leitor comum: o preço do serviço não muda por causa disso, o que muda é por onde o imposto passa. Quando o split payment entrar, parte do que você paga vai ser direcionada ao poder público no mesmo instante do pagamento, sem passar pela conta do prestador.
  • Para o dono de negócio: use 2027 como ensaio. Descubra qual porcentagem do seu faturamento é imposto hoje e passe a transferir esse valor para uma conta separada toda semana, no dia em que você fecha o caixa. Quando a retenção virar automática, seu fluxo já vai estar acostumado a viver sem esse dinheiro.
  • Para quem recebe muito por Pix: olhe a composição dos seus meios de recebimento agora. Se a maior parte entra por Pix, você será atingido logo na primeira fase, enquanto o concorrente que roda quase tudo no cartão ganha algum fôlego a mais.

Moral da história: Prazo adiado não é dinheiro a mais, é tempo emprestado: quem passar 2027 separando o imposto do próprio caixa toda semana chega na virada tranquilo, quem gastar o valor cheio da maquininha vai descobrir o tamanho do buraco no dia em que a retenção começar.

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